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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Nascimento


Enfim, uma etapa foi concluída!

Após dois anos bem turbulentos, enfim entreguei meu TCC, motivo maior da criação deste blog e, paradoxalmente, da minha ausência por aqui.
Para quem nunca passou por essa fase, de fazer TCC ou monografia, não sabe o quão gratificante é poder vê-lo finalizado. Mas, quem já passou por isso, ou quem já escreveu um livro sabe da emoção de ver seu “filho” prontinho. Desde o colégio quis estudar, aprofundar-me sobre essas histórias de caruaruenses e moradores daqui que podiam comprovar que, sim, a Ditadura chegou por aqui e fez um certo estrago na vida de muita gente.
A cada capítulo, um personagem diferente. Já contei um pouco das histórias deles por aqui: Assis Claudino (Seu Sissi), Edson Siqueira (o Bigodão) e Severino Quirino (O Poeta da Fome).  Além deles, também entrevistei Arnaldo Dantas (analista político), Josué Euzébio (historiador) e Ana Maria (cientista política), para dar maior embasamento histórico e político.
Muitos outros poderiam fazer parte deste livro. Por isso re-afirmo que ele não cabe em si. Muitas histórias estão por aí, esperando apenas um ouvinte, esperando fazer-se ouvir. Espero ter muitas outras oportunidades para contar essa história. Minha fome por este tema não acabou.
Enfim, nesse post vocês podem ver a capa do livro. Trabalho mais que perfeito do Johnny Pequeno, responsável pela parte visual deste trabalho. Agora, aguardo o dia da apresentação e sei que tem muita gente aí do outro lado da tela do computador torcendo por mim e por esse trabalho. Saibam que, indiretamente, vocês estão torcendo pelo sucesso de cada um que compõe este trabalho.

Um muito obrigada.

Abraços

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Comissão da verdade: vitória sancionada!

Bom dia!

Bom, primeiramente queria pedir desculpas pela falta de atualização do blog. Hoje, (sexta, 18) é o dia de entrega do TCC para o coordenador. Então, estou naquela correria para finalizar tudo, ele corrigir e entregar para coordenação e ser o que Deus quiser. Assim que finalizar esse processo, vou mostrando a vocês cada detalhe do trabalho.
Bem, agora vamos no atualizar. Hoje recebi uma ótima notícia. A presidente Dilma sancionou hoje a Comissão da Verdade. Que irá investigar os crimes contra os direitos humanos, entre os anos de 1946 e 1988. Uma grande vitória para todos aqueles que sofreram com a Ditadura Militar, que transcorreu entre os anos de 1964 e 1985. Até porque, enquanto outros países da América Latina, como Uruguai, Chile e Argentina, punem os ditadores e quem apoiou o sistema repressor, o Brasil ainda caminha em passos lentos, bem lentos. Mas vamos confiar que este será o primeiro de passos mais largos.
Segue, abaixo matéria do site da Revista Época sobre essa vitória para o Brasil, a favor dos Direitos Humanos:
A presidente Dilma Rousseff sancionou na manhã desta sexta-feira, dia 18, a lei que cria a Comissão da Verdade para apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar. Dilma sancionou também a Lei de Acesso a Informações Públicas, que acaba com o sigilo eterno de documentos.
A cerimônia, marcada para 10h30, teve atraso de mais de uma hora. O único a discursar foi o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. “A questão dos direitos humanos é chave e, portanto, a lei [de Acesso a Informações Públicas] foi clara. Nesse segmento não há restrições de informação", disse. 
O projeto de lei que cria a Comissão Nacional da Verdade foi enviado para sanção de Dilma depois de aprovado na Câmara e no Senado. A comissão terá como objetivo esclarecer os casos de violação de direitos humanos ocorridos entre 1946 e 1988, o que inclui o período da ditadura militar. Mesmo sem o poder de abrir processos, a Comissão da Verdade deve trazer momentos dolorosos e polêmicas à tona. Ela poderá ordenar diligências e perícias, além de pedir informações, dados e documentos de quaisquer órgãos e entidades do poder público, como as Forças Armadas, mesmo se classificados com o mais alto grau de sigilo.
O texto foi aprovado de forma simbólica após acordo entre os líderes partidários, motivado pela pressão feita pelo Palácio do Planalto. O governo só conseguiu o apoio das Forças Armadas ao estabelecimento da Comissão da Verdade pois o projeto prevê que não haverá punições aos autores de crimes como tortura e assassinato. É isto que determina a Lei da Anistia, condenada pela Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), mas ratificada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O relator do texto no Senado, Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB de São Paulo, que participou da luta armada durante o regime militar (1964-1985), afirmou que a comissão não deve ter limites. "Deve-se examinar esse passado sem restrição, sem medo. É um período de esforço concentrado para buscar resolver questões que as investigações anteriores não conseguiram desvendar. Essa busca não vai ser concluída pela formulação de uma verdade oficial. Acho que ela vai contribuir para a história se conseguir abrir dossiês que continuam envoltos num mistério", disse Aloysio Nunes Ferreira à ÉPOCA, em outubro deste ano.
Depois de instalada, a comissão terá dois anos para funcionar e verba própria. Os sete integrantes da comissão serão nomeados pela presidente e não podem ser membros de comitês executivos de partidos políticos e nem ter cargos comissionados no governo. Eles terão salários de cerca de R$ 11 mil.
O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que atuou de forma intensa nas negociações para a aprovação da Comissão da Verdade, disse que o objetivo foi produzir um texto que garantisse o conteúdo da comissão, que “é esclarecer os fatos e, após os esclarecimentos desses fatos, não terá nenhuma perseguição e nenhum desdobramento judicial. O intuito é do esclarecimento”, disse. Essa era uma preocupação do governo, uma vez que o acerto político feito com os comandantes das Forças Armadas previa que a Comissão da Verdade não confrontaria a Lei da Anistia.
A Comissão da Verdade será composta de sete membros indicados pela presidente da República, Dilma Rousseff, entre brasileiros de "reconhecida idoneidade e conduta ética, identificados com a defesa da democracia e institucionalidade constitucional, bem como com o respeito aos direitos humanos". Os membros da comissão serão designados com mandato de duração até o término dos trabalhos da comissão, a qual será considerada extinta após a publicação do relatório final.
Na votação na Câmara, em setembro, os deputados aprovaram dispositivo do PPS que determina o envio de todo o acervo apurado ao Arquivo Nacional. Os deputados rejeitaram destaque apresentado pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), que proibia a denúncia criminal ou aplicação de sanção punitiva de qualquer tipo aos militares que se recusarem a colaborar com a Comissão da Verdade.
Bolsonaro fez campanha contra a instalação da comissão, alegando que ela era uma tentativa de criar revanchismo na sociedade brasileira. “Não há dúvida que é a comissão da revanche, porque aqui tudo é impositivo, inclusive eles têm o poder de buscar documentos na casa de quem quer que seja. Vão meter o pé na porta de casas de velhos generais e velhos coronéis para tirar de dentro o que bem entender, sem autorização judicial, inclusive.", afirmou o deputado carioca.
A insatisfação com a Comissão não é unanimidade entre os militares. O Major-Brigadeiro-do-Ar Rui Moreira Lima, de 92 anos, detentor da segunda maior patente da Aeronáutica e herói da Segunda Guerra Mundial, chama a campanha contra a Comissão da Verdade de "corporativismo burro" e defende, inclusive, que seja revista a Lei de Anistia. "O mundo inteiro está acabando com isso. Estão mandando os torturadores e matadores para a cadeia. Eu não sou revanchista. Não tem revanche nenhuma", afirmou Rui Moreira Lima à ÉPOCA.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Conheça mais sobre o MR-8


Boa tarde.

Há, mais ou menos, três semanas, conversei com a senhora Maria José de Lima Vasconcelos (a que está de terno preto e blusa vermelha, na foto). Hoje, ela é coordenadora do Centro de Referência Especial da Mulher, em Caruaru. No passado, foi grande ativista política, participando sempre de movimentos em prol das minorias, principalmente na época da Ditadura Militar.

Maria José tem uma história muito rica, que traz fatos surpreendentes, como ter sido casada com um militar, mesmo exercendo atividades consideradas subversivas, além de participar da criação de sindicatos, associações de moradores. Mas, um fato me chamou muita atenção. Ela foi integrante do MR-8. Não sabe o que foi este movimento?

O Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8) surgiu de uma união de universitários com o Partido Comunista Brasileiro, a DI-RJ (a partir de 1967, MR-8) atuou em várias ações do movimento estudantil e do início da luta armada, em 1968. Ainda existente, é uma organização política de ideologia socialista que participou da luta armada e tinha como objetivo a instalação de um Estado socialista. Surgida em 1964 no meio universitário da cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, foi nomeada assim em memória à data da morte de Ernesto "Che" Guevara, na Bolívia, em 8 de outubro de 1967.

O MR-8 ganhou destaque nacional e internacional não só por optar por armas, através de ideologias de guerrilhas, para lutar contra a repressão militar brasileira.A ação mais importante organizada pelo grupo, foi o sequestro do embaixador norte-americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, realizado em conjunto com a Aliança Libertadora Nacional (ALN), de São Paulo. A ação foi realizada, para trocar por prisioneiros políticos que a Ditadura havia feito, principalmente o líder do grupo, Vladimir Palmeira. Além disso, o envolvimento dos Estados Unidos com a ditadura militar brasileira era grande e notório o suficiente para tornar o embaixador uma vítima perfeita. Essa ação virou filme. “O que é isso, companheiro?” ainda representou o Brasil, no Oscar.

O sequestro, que teve como um de seus promotores Fernando Gabeira, resultou em vitória para o movimento revolucionário. O MR-8 conseguiu negociar a liberdade do embaixador em troca de 15 prisioneiros políticos, que embarcaram no dia 6 de setembro para o México, e, além disso, foi decisivo para que promovesse ampla divulgação em rádios e jornais do país a insatisfação contra a ditadura, permitindo que muitos tomassem conhecimento do que vinha acontecendo no país e chamando a atenção em âmbito nacional e internacional contra o regime militar.

Ainda em 1971 a repressão do regime militar aumentou muito e o MR-8 quase chegou ao fim em 1972. A maioria dos militantes se refugiou no Chile onde pôde se re-estruturar, deixando a luta armada e partindo para a luta ideológica. O Movimento começou a editar o informativo “Hora do Povo”.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Caravana da Anistia julga 21 processos de pernambucanos nesta sexta

Do pe360graus,

A 51ª edição Caravana da Anistia está no Recife, hoje (30), e está julgando 21 pedidos de anistia de pernambucanos, em busca de promover o direito à reparação, à memória e à verdade nos casos de violação dos direitos humanos durante a Ditadura Militar. Dentre os processos a serem julgados estão o do músico Geraldo Azevedo e o de Francisco Julião.

A sessão ocorre desde às 9h, no Auditório da Assembléia Legislativa do estado de Pernambuco (Alepe), no 6º andar do Anexo I. Pela manhã, ocorreram algumas atividades culturais. Os julgamentos estão acontecendo agora a tarde. No estado, em outras duas Caravanas, 54 processos foram julgados como os de Paulo Freire, Dom Hélder Câmara e Miguel Arraes.


Ao longo das sessões realizadas pela Caravana são julgados pedidos de anistia nos locais onde aconteceram as violações. Geraldo Azevedo teve a música "Canção da despedida” censurada em 1968, tendo sido preso em outubro de 1969 pela Marinha do Brasil e permanecido detido até dezembro. Foi preso novamente em 7 setembro de 1975, sendo levado ao DOI-CODI e libertado no dia 18 do mesmo mês. O cantor relata ter sofrido torturas nas duas vezes em que foi preso.

Outro caso que está sendo julgado é o de Francisco Julião. Advogado e jornalista, Julião é um dos fundadores das Ligas Camponesas e foi eleito deputado federal, mas teve seu mandato cassado por conta do Ato Institucional nº 1, em 1964. Foi preso no mesmo ano e, após 18 meses, teve o habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal. Exilou-se no México e só retornou ao Brasil após 15 anos em virtude da Lei de Anistia.

Os trabalhos da caravana serão conduzidos pelo secretário Nacional de Justiça e presidente da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Paulo Abrão. “A Comissão de Cidadania está colaborando para que a verdade e a justiça no Brasil se concretizem”, destacou o presidente da Comissão de Cidadania da Alepe, deputado Betinho Gomes.

A sessão é uma realização da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, com apoio da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Alepe. Também são parceiros da caravana o Governo do Estado, a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Pernambuco (OAB-PE), a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o movimento Tortura Nunca Mais, o Ministério Público de Pernambuco e diversas organizações sociais.

Confira abaixo o nome dos outros pernambucanos que terão seus casos julgados nesta edição da Caravana da Anistia:
- Wilson Campos de Almeida Filho: ex-funcionário do Serpro, informa que nunca recebeu punição e que foi demitido ao integrar a Associação de Empregados;


- Rubem Alves Rodrigues: membro da ALN, exilou-se no Chile para evitar prisão;
- Gilberto Barreto da Costa Pereira: cadete expulso da Aman por ser acusado de portar livros e propagandas de material subversivo;
- Manoel Silva Teodósio Neto (Post mortem): membro do PCB preso em 1964 e em 1973;
- Theodomiro Romeiro dos Santos: estudante. Foi condenado à morte pelo regime, tendo a pena convertida à prisão perpétua em 1971. Exilou-se em 1979 e retornou ao Brasil em 1985;.
- Severino Lino da Silva: camponês residente no Engenho Galiléia. Foi preso por suspeitas de fazer parte da Liga Camponesa;
- José Silvestre de Araújo (Post mortem): camponês preso em 1964 e 1965 por agitação comunista. Processado pela Justiça Militar. Sucessora
Luiz de Moraes Costa Filho: estudante preso no Chile em 1973 sob acusação de subversão;
- Marcelo Hugo de Medeiros: ex-funcionário da Sudene. Abandonou o emprego em 1966. Foi preso em 1969, foi colocado em liberdade em 1971. Em1974 teve a prisão preventiva decretada;
- Geraldo Gonçalvez Pereira: ex-funcionário da CRC demitido pelo art. 7º do Ato Institucional 1;
- João Francisco da Silva: operário preso em 1968 por fazer panfletagem e preso em 1972;
- Epitácio Afonso Pereira: camponês. Militância iniciada em 1950. Integrante da Liga Camponesa;
- José Moreira de Lemos Neto: estudante. Preso em 1971 por participar da luta armada e da expropriação de um banco em Fortaleza;
- Rosa Maria Barros dos Santos: estudante de Medicina presa em 1971 por subversão. Permaneceu presa por 1 ano e 8 meses;
- Izabela Juliana de Castro: filha de Francisco Julião, passou 7 anos exilada no México;
- Fernando Duarte Fernandes Vieira: Informa ter sido expulso da maçonaria sob acusação de infiltração comunista;
- Severino Marques Brito: ex-delegado sindical. Preso em 1966, por ser liderança de greve ocorrida na Usina de São José em Igarassu/ PE;
- Roberto Carlos Cantalice de Medeiros: professor preso sob a acusação de ser militante do PC do B;
- Nobel Vita: estudante e servidor do DNOCS. Foi indiciado em IPM por participar de manifestações pela morte do estudante Edson Luis.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ótima iniciativa

Boa tarde!


Caruaru homenageia militantes políticos mortos pela ditadura



As prefeituras de Caruaru e do Recife realizam nesta quarta-feira, às 10h da manhã, um ato solene em memória dos militantes políticos Luis Alberto de Andrade Sá Benevides e Miriam Lopes Verbana, mortos durante a ditadura militar. Socialista histórico, o vice-prefeito de Caruaru, Jorge Gomes, estará presente à cerimônia, que acontece no Cemitério Dom Bosco, na capital do Agreste. A secretária de Direitos Humanos, Amparo Araújo, virá representando o prefeito do Recife.


Luís Alberto e Miriam Lopes Verbena participaram ativamente da resistência à ditadura, atuando como dirigentes do antigo Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), um dos mais combativos do período. Eles chegaram ao Nordeste por volta de 1970. Aqui, foram vítimas das perseguições dos militares. O casal acabou assassinado em 1974, em um trecho da BR 234, que hoje é conhecida como BR 432, próximo ao município de São Caitano. Luis e Miriam foram enterrados em Caruaru sob os nomes fictícios de "José Carlos Rodrigues" e "Miriam Lopes Rodrigues", nas covas de números 1.538 e 1.139 respectivamente.


A homenagem foi marcada para a data em que se comemora o aniversário de Luís Alberto. Durante o tributo ao casal de militantes uma placa com nomes verídicos será fixada no Cemitério Dom Bosco.



-- 
Prefeitura Municipal de Caruaru
Secretaria de Comunicação Social



[PARABÉNS À PREFEITURA MUNICIPAL PELA ÓTIMA INICIATIVA DE RESGATAR A MEMÓRIA DO POVO CARUARUENSE!]

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Cálice e suas versões

Achei bem interessante este post do blog "Em Cartaz na Web" e resolvi transcrevê-lo aqui.

Um dos maiores hinos anticensura escritos durante a ditadura militar, "Cálice" é um desses casos em que uma versão muito conhecida confunde a autoria da música na cabeça de um monte de gente. Apesar de ter ficado famosa na voz de Milton Nascimento, o parceiro de Chico Buarque na composição foi Gilberto Gil.



A música deveria ter feito sua estreia num especial da PolyGram em 1973. A censura, no entanto, não gostou nada do que ouviu e proibiu que ela fosse cantada. Chico e Gil tocaram mesmo assim, mas com Gil soltando palavras aleatórias no lugar da letra e Chico apenas pontuando as estrofes com "cale-se". Acabaram com os microfones desligados. As imagens do vídeo abaixo não são do show, mas aí está a versão censurada de Chico Buarque e Gilberto Gil.



Cinco anos depois a música foi liberada e Chico achou importante registrá-la em disco. Gilberto Gil estava mudando de gravadora e por esses absurdos contratuais da era pré-mp3 não pôde participar, abrindo espaço para Milton Nascimento.



A música foi um sucesso e ainda em 1978 ganhou também versão de Maria Bethânia, que no vídeo abaixo se apresenta no "Fantástico".



Muitos e muitos anos depois Pitty fez uma versão rock de "Cálice", bem ao gosto do novo milênio.


Acontece que desde que essa música foi escrita o país mudou muito. Então a letra mereceu uma revisão para se adaptar ao mundo do rapper Criolo. Ele mora no Grajaú, na Zona Sul de São Paulo e não na Zona Norte do Rio, e mostrou nessa versão que suas referências vão muito além do rap.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Renúncia de Jânio Quadros completa 50 anos


Faz hoje 50 anos que Jânio Quadros renunciou à Presidência, sete meses depois da posse. Fora eleito com mais de 48% dos votos e desfrutava de grande autoridade e popularidade. Mas, porque então ele renunciou?E qual a ligação entre esta renúncia e a Ditadura Militar?


Jânio teve uma carreira meteórica: em sete anos passou de prefeito de São Paulo (1953) a governador (1954) e presidente eleito (1960). Apesar do reconhecimento durante seu governo municipal e estadual, pelo combate contra a corrupção e outras atividades, na Presidência somente reforçou suas características mais conservadoras. Não teve problemas com o Congresso: aprovou tudo o que considerava importante. Fez um governo bipolar. Adotou um programa econômico conservador. Desvalorizou a moeda, e a inflação subiu.Preocupou-se muito com coisas irrisórias. Como exemplo, proibiu o uso dos biquínis nas praias brasileiras.

Sua renúncia, para a população parecia um golpe para encerrar sua carreira política para ele tinha a intenção de ser um golpe de sorte. De forma abrupta resolveu abandonar a Presidência. Foi uma ação tão intempestiva que até assustou os ministros militares, que não foram consultados e nem tinham um plano para um golpe, apesar de suas simpatias pelo autoritarismo janista. Imaginou que retornaria a Brasília nos braços do povo e com amplos poderes. Puro delírio. E passou três décadas tentando explicar a renúncia.


Após esse fato, instaurou-se uma crise política nacional. Muitos políticos não queriam aceitar a posse do vice, João Goulart. Naquela época, presidente e vice podiam ser de bases e coligações políticas diferentes, já que cada um era votado separadamente. Muitas barreiras foram impostas para que não fosse cumprida um direito constitucional, o de o vice assumir quando o presidente não pudesse fazer isto.


Por fim, após muito tumulto, Jango (como João Goulart era conhecido) assumiu o poder. Jango no momento fazia uma viagem à China comunista, mas assumiu o poder – fato que reforçou a resistência das elites conservadoras e militares, e que, no fim, culminaria com o golpe militar de 1964.